sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Casal de João -e- Barro

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Domingo é dia de descansar. Por que então acordei de madrugada? Poderia ter ficado no aconchego do quarto e, quem sabe, não viria mais um soninho. Mas não, encontrava-me caminhando ao redor da casa usando um leve agasalho, braços cruzados, curvada, cabeça baixa, quase que bamboleando, envolvida em pensamentos soltos, desordenados. Ainda não havia despertado por inteiro. Era cedo...muito cedo  para estimular os pensamentos que estavam estagnados, sonolentos, rasgando os assuntos e cortando a voz teimosa em se calar. Minha mente então sugeriu: Olhe o céu! Prolonguei o passo...hesitei um instante e não me contive. De olhos para o alto, deparo-me com um céu azul habitado por flocos de nuvens ornando o firmamento.  Fazendo desenhos pintados de branco ...contornos suaves, já se desfazendo. Sol, muita luz insinuando um ótimo e próspero dia se iniciando. E logo, agora já desperta, e em um lampejo escuto os primeiros sons surgindo de todos os lados...pássaros anunciando o dia...folhas caindo e rodopiando no solo. O tato anuncia a brisa fresca do amanhecer ...o olfato destaca o perfume das flores e logo surge um ar leve acelerando o desprendimento do orvalho. Alguém solta, em meio a um instante de silêncio, gargalhadas estridentes, estranhas, ritmadas e constantes...formando um canto festivo e divertido conquistando a minha atenção. Olho para o solo e o que vejo são pássaros caminhando em cadência e elegância...hora com passos rápidos, hora vagarosos.Tinham o olhar nada tímido e muito observador. Era um lindo casal de João –de- Barro que ao voar, deram para mim o endereço de seu ninho.



O João-de-barro é também conhecido como oleiro, barreiro, amassa-barro, forneiro, pedreiro, Maria-de-barro. É símbolo da Argentina onde é chamado de Homero. É uma espécie nativa da Argentina, Bolívia, Paraguai, Brasil e Uruguai. Vive em áreas de vegetação esparsa ou campos passando grande parte do tempo no solo. Tem um andar pausado alternado com pequenas corridas. Não é tímida, pois se aproxima do homem sem medo e canta como se soubesse que está sendo admirada. O canto muitas vezes é em dueto (macho e fêmea juntos) anos arredor do ninho com postura altiva e tremulando as asas.
 Tem o dorso marrom avermelhado- cor de ferrugem acanelada - e apresenta uma suave sobrancelha mais clara. As penas do vôo são quase negras e o ventre é marrom claro. A cauda é avermelhada. Alimentam-se de  insetos e larvas, aranhas e outros artrópodes, minhocas, restos alimentares humanos e outros.
O casal se reveza na construção do ninho construído no alto de postes, troncos e edificações humanas. O material usado é barro úmido, esterco, palha e pequeninos galhos. Tem o formato de forno arredondado dividido em dois lugares, a entrada, que permite o pássaro entrar sem ter de se abaixar e outro compartimento que serve de incubadora que é forrado com fibras,  pelos, cerdas e penas. A construção leva de 17 a 30 dias. Tem aproximadamente 30 cm de diâmetro e 5 cm de espessura. A ave não utiliza o mesmo ninho por duas estações seguidas. A fêmea põe de 3 a 4 ovos brancos e de casca mole. A incubação leva de 14 a 18 dias. Com 14 dias os filhotes já treinam o canto e aos 20 dias deixam ninho.

Classificação científica:
Reino...................Animalia
Filo:.....................Chordata
Classe:................Aves
Ordem:...............Passeriformes
Família...............Furnariidae
Gênero:.............Furnarius
Espécie.............F. Rufus
Furnarius rufus
FONTES: